Panorama da Open Innovation entre Corporações e Startups no Brasil | 2016-2021

E a análise do Ranking das 100 empresas que mais fazem open innovation com startups no Brasil

Por Bruno Rondani, Rafael Rocha Levy, Carla Depieri Colonna, Marco Antonio Petucco Junior e Ricardo Kahn

Carta dos Fundadores

Nos últimos anos, passamos por uma verdadeira revolução nos modelos de inovação em empreendedorismo. Estamos vivendo uma era em que a inovação é baseada em plataformas de negócios, ecossistemas de inovação, capacidades dinâmicas e metodologias ágeis.

Hoje, a inovação depende cada vez mais de um esforço colaborativo, onde a prática da open innovation está se tornando a principal estratégia de inovação de empresas líderes em todos os setores. Nesse modelo, empresas de todos os portes buscam, no relacionamento com ecossistemas de inovação, os recursos necessários para sustentar sua transformação e crescimento por meio da inovação, construindo suas plataformas de negócios ou participando das existentes.

Essa massiva adoção de práticas de open innovation por parte das empresas incumbentes, as quais chamamos de Open Corps tem fomentado cada vez mais o surgimento de toda uma nova geração de startups abertas à inovação em colaboração com corporações, que denominamos Open Startups.

Tanto para Open Corps, quanto para Open Startups, a inovação cada vez mais é reconhecida como fruto da interdependência de ecossistemas e da sua orquestração via plataformas de negócios.

Nesse novo modelo de organização do mercado, ganha importância a inovação a partir de metodologias ágeis, que promovem tanto as inovações incrementais quanto as disruptivas. As inovações disruptivas não precisam ser necessariamente de longo prazo ou a partir de grandes avanços tecnológicos. Pelo contrário, podem ser combinações de tecnologias existentes, que podem acontecer em um período mais curto e, ainda assim, serem de alto impacto.

As metodologias ágeis são tipicamente exploradas pelas estruturas empresariais mais flexíveis das startups, o que fortalece ainda mais o movimento de empresas estabelecidas buscarem uma interdependência com o ecossistema empreendedor. Nessa nova organização do mercado, as startups cumprem o papel como atores mais ágeis para validar inovação em um ritmo mais rápido e enxuto exigido pelo mercado.

Esse conjunto de mudanças tem feito emergir a gestão de ecossistemas de inovação como uma nova tipologia nesse contexto de plataformas digitais, e essa é a grande transformação que vivemos hoje: a inovação, cada vez mais, reconhecida como fruto da interdependência de ecossistemas e sua orquestração via plataformas.

Estamos muito satisfeitos com os resultados e a riqueza de informações que conseguimos apresentar neste estudo. O volume de dados coletados é uma grande conquista do ecossistema de inovação brasileiro. Não identificamos, na literatura internacional, nenhum outro estudo sobre o tema com uma população de análise equivalente. Foram analisados dados primários sobre interações de open innovation entre 4.982 corporações e 18.355 startups no período de 2016 a 2021 no país.

Essa é uma conquista de todo o mercado brasileiro, que aderiu à proposta do Ranking 100 Open Startups desde 2016 e, ano a ano, contribui com dados valiosos sobre a prática de open innovation com startups no país. Dados que agora nós podemos devolver ao mercado e ao ecossistema de inovação na forma de estudos como este que apresentamos agora e outros que ainda virão.

Nosso objetivo é compartilhar conhecimento que possa auxiliar corporações, startups e demais atores do ecossistema de inovação brasileiro a direcionarem e otimizarem seus esforços nesta cada vez mais promissora prática de inovação e negócios.

Muito obrigado e boa leitura!

Bruno Rondani, CEO

Rafael Levy, CTO

Carla Colonna, COO

Fundadores da 100 Open Startups

Introdução

O Ranking 100 Open Startups destaca, anualmente, as startups mais atraentes para o mercado corporativo. Publicado desde 2016, a partir da edição 2018, passou a destacar, também, as corporações que mais se engajam no relacionamento com startups, as Open Corps.

Desde a primeira edição, há cinco anos, observamos um grande amadurecimento do ecossistema de inovação e empreendedorismo no Brasil e o aumento exponencial da prática de Open Innovation com Startups no país. Assim, a publicação, que contou com 82 empresas participantes em 2016, hoje registra mais de 3.300 corporações com contratos firmados com startups.

O Ranking 100 Open Startups é construído a partir da coleta de dados primários, validados por um processo de verificação e auditoria. Em outras palavras, o Ranking mede, de forma objetiva, o volume e a intensidade das relações de open innovation estabelecidas entre startups e empresas, permitindo espelhar os pontos dados às empresas e às startups.

A divulgação dos resultados do Ranking 100 Open Startups 2021 foi dividida em dois momentos: a premiação das TOP Open Corps e a premiação das TOP Open Startups e demais categorias. Para a premiação de corporações, com o expressivo aumento na densidade de empresas realizando Open Innovation com Startups, neste ano, além das TOP 100 Open Corps, também foram reconhecidas as TOP 5 Open Corps em 25 categorias com mais densidade de relacionamentos.

Tanto as corporações como as startups incluídas nas listas TOP 100 e TOP Categorias colhem benefícios tangíveis por meio de reconhecimento e reputação no ecossistema de inovação. Mas o impacto do Ranking vai muito além das premiadas, já que todo o mercado pode se beneficiar da geração de dados, análises e estudos sobre a prática da Open Innovation com Startups no país, possíveis graças à natureza data-driven da metodologia do Ranking.

Nesses estudos, podemos observar e destacar os principais movimentos de inovação aberta no país, sua densidade e concentração. A partir dos dados coletados, identificamos quais são as modalidades de relacionamento mais comuns, os valores envolvidos e os setores que trazem mais oportunidades.

Incentivamos a pesquisa científica em torno da inovação e empreendedorismo e apoiamos iniciativas que se aproveitam dos dados para gerar conhecimento, como o Bridge Ecosystem, projeto acadêmico em parceria com a Universidade de São Paulo e com a ISA CTEEP por meio do PROP&D ANEEL, que utiliza os dados e informações gerados e registrados na plataforma 100 Open Startups para produzir conhecimento científico.

O levantamento de dados que embasam esse estudo conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP, por meio do programa PIPE-FAPESP.

Diferenciais da abordagem da 100 Open Startups

O principal foco da 100 Open Startups é fomentar o desenvolvimento da inovação por meio da cooperação entre startups e corporações, a open innovation com startups. As informações que tratamos abordam qualquer contato ou relacionamento entre esses dois tipos de empresas, e não apenas aportes ou investimentos diretos. Entendemos que os relacionamentos de open innovation podem acontecer de diversas formas e diferentes intensidades e buscamos mapeá-los desde o início.

Dessa forma, não nos concentramos apenas nas startups já identificadas e investidas por fundos de venture capital, como a maior parte das bases de inteligência de mercado. O foco do Ranking 100 Open Startups está concentrado nas startups em estágios iniciais, realizando suas primeiras parcerias institucionais no mercado e atingindo seus primeiros resultados. Afinal, nosso foco é a evolução do ecossistema de inovação como um todo.

Nosso objetivo é mapear os próximos movimentos de inovação que definem as tendências e a convergência de investimento nos estágios seguintes. Procuramos identificar: o que vem a seguir? Quais são as startups emergentes que definirão o cenário do mercado nos próximos anos? Quais são as empresas mais preparadas para a transformação de seus setores? Quais são as tendências de inovação mais intensas, que têm mais participantes empresas e startups?

Para buscar respostas para essas questões, nos debruçamos na análise dos dados coletados para a construção do Ranking 100 Open Startups ao longo dos últimos cinco anos.

Metodologia

A metodologia do Ranking 100 Open Startups pontua as startups que mais despertam interesse em médias e grandes instituições a cada ano (as Open Startups) e, na outra ponta, as empresas que mais estabelecem relações de negócio com startups (as Open Corps).

São consideradas elegíveis para o Ranking as startups validadas enquanto tal por especialistas do ecossistema, executivos de empresas e investidores, de acordo com a metodologia da 100 Open Startups. Além disso, as startups devem ter faturamento inferior a R$ 10 milhões no exercício fiscal do ano anterior à publicação do Ranking, não ter recebido mais de R$ 10 milhões em investimento direto e não ser controlada por grupo econômico, mas sim por empreendedores à frente do negócio.

Para a categoria TOP Open Corps, são consideradas elegíveis as corporações com faturamento superior a R$ 100 milhões ou mais de 100 funcionários.

Para compor a pontuação, são consideradas a quantidade e a intensidade dos relacionamentos declarados, categorizados em 16 tipos, divididos em quatro grandes grupos, com pontuação equivalente a 1 a 20 pontos, conforme detalhado na tabela a seguir:

Grupo Pontos Categoria
GRUPO A
Posicionamento
1 a 20 pontos
1. Capacitação e mentoria
2. Matchmaking e conexões
3. Reconhecimentos e premiações
4. Espaços de coworking
GRUPO B
Plataforma e Parcerias
5 a 20 pontos
5. Vouchers de serviço e tecnologia
6. Licenciamento de PI da grande empresa
7. Acesso a recursos não-financeiros
8. Acesso a base de colaboradores
9. Acesso a base de clientes e canais de vendas
GRUPO C
Desenvolvimento de fornecedores
10 a 20 pontos
10. Recursos para P&D e prototipagem
11. Licenciamento de PI da startup
12. Contratação de projeto piloto
13. Fornecimento de serviço ou produto inovador
GRUPO D
Investimento
10 a 20 pontos
14. Programa de aceleração
15. Investimento com participação acionária minoritária
16. Aquisição e incorporação

A corporação recebe de 1 a 20 pontos por startup com a qual tem algum contrato, conforme o contrato melhor pontuado com cada startup, e são ranqueadas de acordo com essa pontuação.

O método de classificação se baseia nas informações enviadas formalmente por meio da plataforma 100 Open Startups. As próprias startups e empresas informam quando um relacionamento é estabelecido, qual é a natureza desse relacionamento, sua vigência e outros dados utilizados pela equipe auditoria para validação desses relacionamentos. Nosso papel é verificar, com a outra ponta, a coerência das informações cadastradas e validar a pontuação.

Todas as informações registradas na plataforma são tratadas de forma confidencial e utilizadas apenas de forma quantitativa para a geração do Ranking 100 Open Startups, e de forma agregada e anonimizada para a publicação de estudos como este.

Mais informações sobre o Ranking 100 Open Startups e as listas de corporações e startups premiadas desde a primeira edição podem ser consultadas no link: 100os.net/ranking.

Principais insights do TOP Open Corps 2021

Ao compilar as informações do TOP Open Corps 2021, obtivemos uma série de insights que compartilhamos neste estudo. Cada um dos insights é ilustrado com informações, dados e gráficos que os sustentam.

A 100 Open Startups está sempre disponível e ansiosa para discutir o estado de nosso mercado. Caso tenha algum comentário sobre as informações que apresentamos, não receie em nos contatar escrevendo para helpme@openstartups.net.

  1. A Open Innovation com Startups mais do que dobra a cada ano e não há sinais de que esse crescimento vai parar tão cedo
  2. A curva de aprendizado é vigorosa, e a intensidade da Open Innovation com Startups dobra a cada ano entre as empresas mais bem ranqueadas
  3. O número de empresas com relacionamento de open innovation superou o de startups
  4. Empresa de todos os setores e de todos os tipos procuram fazer negócios com as startups
  5. O interesse dos executivos pelas startups não é mais apenas um hype
  6. Quem procura acha, e não é tarde demais para começar
  7. Perfil do Campeão
Ranking Top 100 Open Corps 2021 Ranking Top 5 Categorias 2021

Para acessar a lista navegável, acesse a página do Ranking TOP 100 Open Corps.

Principais Insights do TOP Open Corps 2021

1 - A Open Innovation com Startups mais do que dobra a cada ano e não há sinais de que esse crescimento vai parar tão cedo

Ao receber o registro dos relacionamentos entre empresas e startups (chamados genericamente de “contratos”), o sistema da 100 Open Startups atribui uma pontuação para esses relacionamentos, dependendo de sua profundidade e impacto. Dessa maneira, podemos avaliar os relacionamentos tanto em termos de volume (o número de contratos) como por intensidade (a pontuação).

Os anos de 2020 e 2021 foram especialmente desafiadores para a economia brasileira, por conta dos impactos da pandemia da Covid-19 e da recessão econômica. Ainda assim, pudemos notar um grande aumento na atividade de open innovation entre corporações e startups nesses anos.

O número anual de relacionamentos de open innovation entre corporações e startups mais do que triplicou de 2019 a 2021. Foram registrados 8.050 relacionamentos em 2019, 13.433 em 2020 e 26.348 contratos em 2021. Enquanto isso, o número de pontos no ranking quintuplicou no mesmo período e, de 2016 para cá, vem crescendo a uma taxa de 125% ao ano.

Esse forte crescimento na pontuação é fruto não apenas do aumento da quantidade de contratos firmados, mas também do fato de que esses contratos vêm se tornando cada vez mais intensos e impactantes, já que o número médio de pontos registrados por contrato dobrou desde 2016, com uma taxa de crescimento anual de 14%.

Gráfico 1 - Crescimento da prática de Open Innovation com Startups

Um crescimento tão marcante nos levou a pensar se estaríamos próximos a um ponto de saturação. Porém, entendemos que essa saturação ainda está distante, principalmente devido a dois grandes fatores:

A. O ritmo continua se acelerando - o número de empresas que iniciaram sua participação no ranking no último ciclo é superior ao de qualquer outro período. O ritmo de entrada de novas empresas vem acelerando e não há nenhum sinal de que estamos próximos a um ponto de saturação.

B. As empresas melhoram com o tempo - podemos observar uma tendência de a intensidade de open innovation aumentar de acordo com a curva de aprendizado das empresas, conforme elas se desenvolvem na prática e se relacionam mais com startups. Esse tópico será explorado detalhadamente no próximo insight.

2 - A curva de aprendizado é vigorosa, e a intensidade da Open Innovation com Startups dobra a cada ano entre as empresas mais bem ranqueadas

As empresas ganham muita intensidade nos relacionamentos de Open Innovation com Startups conforme amadurecem suas práticas. As empresas top 10% no ranking têm o número médio de contratos vigentes multiplicado por 12 até seu quarto ano na prática, e multiplicado por 18 até o quinto ano.

Gráfico 2 - Top 10% empresas de 2016 a 2021

Em termos de valores dos contratos, tais empresas quase dobram a intensidade ano após ano, aumentando 12 vezes o valor das transações nos cinco primeiros anos de atividade.

Das 100 empresas com maior pontuação em 2021, 93 já estavam no Ranking em 2020. Das 1.000 empresas com menor pontuação em 2021, apenas 300 já estavam no Ranking em 2020.

Gráfico 3 - % Pontos por tempo no ranking

3 - O número de empresas com relacionamento de open innovation superou o de startups

A cada ano, identificamos mais empresas e mais startups que se engajam em relacionamentos de open innovation entre si. Notamos que o ritmo de entrada de novas empresas vem sendo ainda mais acelerado do que o das startups.

Gráfico 4 - Crescimento da prática de Open Innovation com Startups

Até 2019, observava-se um número maior de startups com relacionamentos registrados com empresas do que o número de empresas com relacionamentos com startups. A partir de 2020, a tendência se inverteu e, atualmente, o número de empresas é 1,9 vezes superior ao de startups.

Gráfico 5 - Empresas e Startup com Relações de OI entre si

A competitividade é fortemente afetada pelo tipo de relacionamento praticado pela empresa. Dentre as Open Corps, identificamos dois tipos gerais de relacionamento com as Open Startups:

A) Relacionamentos para funções core da empresa

É o tipo de relacionamento onde a empresa utiliza o serviço, produto ou o trabalho da startup para alguma função que trará um diferencial competitivo em uma de suas atividades principais.

Nessa forma de relacionamento, a empresa tende a buscar algum tipo de exclusividade no relacionamento com a startup, seja por meio de cláusulas contratuais por ocasião da contratação, seja por meio de alguma forma de investimento (ou opções de investimento).

Nesse tipo de contratação, as empresas tendem a se relacionar com startups de comunidades correlatas a seus setores: empresas agrícolas se relacionam com AgTechs, empresas alimentícias com FoodTechs, e assim por diante.

B) Relacionamento para funções de suporte

Nesses relacionamentos, a empresa utiliza serviços ou produtos da startup para funções de suporte, como Recursos Humanos, Compras, Contabilidade, Jurídico ou outras.

As relações costumam ser mais orientadas para contratação comercial, como desenvolvimento de provas de conceito ou aquisição de produtos e serviços.

Para esses relacionamentos, a empresa normalmente não tem vantagens significativas na obtenção de exclusividade para com as startups. Pelo contrário, quanto maior a exposição da startup ao mercado, melhor tende a ficar seu produto ou serviço, graças ao ganho de escala e de experiência.

O diagrama de rede abaixo mostra alguns dos relacionamentos entre os setores de empresas (em azul) e as comunidades de startups (em amarelo). Foram mapeados apenas os relacionamentos mais comuns, demonstrados pela espessura da linha de ligação. De maneira geral, quanto mais central está um ponto, com mais tipos de empresas ele se relaciona.

Gráfico 6 - Relacionamentos da Open Innovation entre os setores de empresas e as comunidades de startups

No diagrama, as empresas do setor “Bens de Consumo e Alimentação”, por exemplo, relacionam-se com diversas comunidades de startups. Na outra ponta, as comunidades que provêm serviços de suporte à operação, como as HRTechs, tipicamente ocupam posições mais centrais no diagrama, o que indica que se relacionam com empresas de diversos setores.

Algumas comunidades com relacionamentos mais específicos com um setor, como as MarTechs e as FoodTechs, podem oferecer produtos e serviços que atendam funções core dentro da empresa cliente. Com isso, seus relacionamentos tornam-se mais estratégicos para essas empresas, que tendem a pressionar por relações exclusivas, colocando obstáculos ao acesso dessas startups a outras empresas de seu setor, ou mesmo de outros setores.

Relacionamentos entre os setores de empresas e as comunidades de startups
Gráfico 7 - Relacionamentos entre os setores de empresas e as comunidades de startups

Por outro lado, as startups da comunidade “ProductivityTechs”, por exemplo, cultivam relacionamentos com setores de empresas bastante diversificados. Isso pode ser explicado pela característica dos produtos e serviços oferecidos por essas empresas, que se adequam bem a funções de suporte à operação dentro das empresas. Com isso, têm uma amplitude maior de clientes-alvo e, em geral, não sofrem uma forte pressão competitiva por exclusividade no relacionamento.

Relacionamentos entre os setores de empresas e as comunidades de startups
Gráfico 8 - Relacionamentos entre os setores de empresas e as comunidades de startups

4 - Empresa de todos os setores e de todos os tipos procuram fazer negócios com as startups

A distribuição dos pontos do Ranking entre os setores das empresas apresenta uma grande dispersão. Algumas das categorias com maior intensidade de Open Innovation com Startups são “Serviços Profissionais”, “Bens de Consumo e Alimentação”, “Varejo e Distribuição” e “Transporte e Logística”. No entanto, as 25 categorias de corporações premiadas no Ranking 100 Open Startups 2021 apresentam quantidades relevantes de contratos.

Gráfico 9 - Distribuição dos pontos do Ranking entre os setores das empresas

A distribuição entre as categorias vem agregando diversificação ao longo dos anos, o que mostra que novas indústrias vêm ingressando cada vez com mais intensidade na Open Innovation com Startups.

Gráfico 10 - Evolução das categorias ano-a-ano (2016-2021)

Entre as TOP 100 Open Corps, quase a totalidade é composta por grandes empresas. É natural que haja esse predomínio, uma vez que o Ranking considera números absolutos de contratos e pontuação, o que naturalmente beneficia as estruturas maiores.

No entanto, ao observarmos o conjunto completo das corporações que se relacionaram com startups no mesmo período, podemos notar participação relevante de empresas médias (18%), entidades governamentais (8,5%), ONGs, academia e outras instituições. Isso mostra que a disposição de fazer negócios com startups no Brasil já se espalha através dos diversos tipos de organização. O acompanhamento dessa tendência ao longo dos anos poderá revelar seus caminhos, bem como levantar insights sobre as relações causais entre a open innovation e o crescimento das empresas.

5 - O interesse dos executivos pelas startups não é mais apenas um hype

A 100 Open Startups disponibiliza à comunidade uma ferramenta de matchmaking, Speed-Dating e avaliação de startups. Qualquer pessoa participante do ecossistema de inovação pode acessar a plataforma digital de interação com startups para estabelecer novas conexões de forma livre e gratuita.

Em 2016, na primeira versão do Ranking 100 Open Startups, houve 1.157 executivos envolvidos, representando empresas com mais de 100 funcionários, que interagiram com as startups cadastradas. Na edição de 2021, tivemos um total de 9.779 executivos, o que representou 21% das pessoas envolvidas com Open Innovation com Startups que interagiram por meio dessas ferramentas.

Os demais grupos são formados por empreendedores de startups (49%), consultores (15%), investidores (4%), governo (2%) e demais participantes do ecossistema (9%), em um total de cerca de 46 mil pessoas.

Os motivos pelos quais os executivos se engajam com startups estão descritos no gráfico a seguir. As principais razões são totalmente “corporativas”: buscar soluções inovadoras para oportunidades nas empresas e conhecer novas ideias e inovações. No entanto, outros motivos apontados com bastante frequência mesclam seus interesses corporativos com pessoais e se relacionam com o apoio ao ecossistema (“give back”) e a busca por oportunidades de investimentos.

É de se esperar que parte desses executivos continuem engajados nesse tipo de relacionamento, seja por seus papéis corporativos atuais ou futuros, seja por motivações individuais, por meio de mentorias ou investimentos-anjo.

Gráfico 11 - Motivos pelos quais execuivos buscam startups

Um interesse ainda não mapeado, porém cada vez mais citado no mercado, é a possibilidade de se adquirir talentos junto às startups, modelo de aquisição conhecido como acqui-hiring. Por meio desse expediente, as startups são compradas não apenas por conta de seus ativos, clientes ou soluções inovadoras, mas também por conta de seus talentos - tanto na figura dos fundadores como de suas equipes.

6 - Quem procura acha, e não é tarde demais para começar

Com a maior maturidade do ecossistema empreendedor brasileiro, as barreiras para a Open Innovation com Startups vêm sendo reduzidas. A capacitação dos profissionais vem aumentando, os executivos já contemplam a prática com maior seriedade e dedicação, as startups já estão aprendendo como se relacionar com as corporações e já há informações bem divulgadas no mercado que apoiam o encontro entre os participantes.

Quem está disposto a buscar cooperação no relacionamento empresa-startup efetivamente consegue.

Da mesma forma, entendemos que, para as empresas que ainda não têm relacionamentos de Open Innovation com Startups, não é tarde para começar, principalmente por três motivos:

A) É fácil contratar startups experientes em serviços de suporte à operação

Um ponto de partida possível para as corporações são as startups que provêm serviços de suporte e que já possuem prática no relacionamento com grandes empresas. Há uma grande variedade de soluções validadas por empresas bem conhecidas, em casos bem documentados. Essas startups, em geral, já estão acostumadas a navegar através dos processos burocráticos de uma corporação. São essas startups que, em geral, desenvolvem contratos com o maior número de corporações.

Startups por Corp Corps por Startup
% startups % corps
Top 1% Corps 73 Top 1% Startups 63
Top 5% Corps 25 Top 5% Startups 32
Top 25% Corps 7 Top 25% Startups 12
Top 50% Corps 4 Top 50% Startups 8
Todas as Open Corps 3 Todas as Open Startups 5

Recomendamos que esse caminho não seja trilhado sozinho, mas com apoio de uma ou mais organizações de apoio ao ecossistema. Há uma variedade de agentes do ecossistema que se empenham em apoiar o desenvolvimento da open innovation nas empresas, desde entidades governamentais a hubs de inovação, passando por aceleradoras, consultorias, fundos de investimento e outros.

B) É possível encontrar uma enorme variedade de produtos e serviços entre as startups

Apesar de as startups mais destacadas no Ranking terem relacionamentos com uma grande variedade de empresas, existe uma quantidade muito grande de startups bastante competentes atendendo a todo tipo de demanda, seja ela genérica ou específica.

Um maior detalhamento sobre o perfil das startups estará disponível no estudo específico sobre essas empresas, que será publicado pela 100 Open Startups ainda em 2021. Entre os dados apresentados, o estudo mostrará a grande variedade de setores e aplicações existentes, em startups de todos os níveis de maturidade e experiência.

Antecipamos alguns dados aqui que podem dar a dimensão da oportunidade: no Ranking de 2021, 2.344 startups desenvolveram relacionamentos de open innovation com empresas (1.310 em 2020). Apesar de expressivo, esse número pode ser entendido como uma fração do potencial existente, já que a 100 Open Startups registra hoje mais de 18,4 mil startups em sua plataforma, número que aumenta a cada mês, representando uma crescente quantidade de startups que ainda não concretizaram esse tipo de relacionamento e buscam boas oportunidades para fazê-lo.

Muitas das startups se identificam em “comunidades” temáticas, de acordo com a solução que desenvolvem. As comunidades com maior número de startups no Ranking 100 Open Startups 2021 foram IndTechs, FinTechs e ProductivityTechs, nessa ordem. Já as comunidades com maior pontuação foram HRTechs, IndTechs e ProductivityTechs, nessa ordem.

C) A maior parte das corporações ainda está no início da curva de aprendizado

Das empresas cujos executivos se inscreveram nas plataformas de matchmaking ou que cadastraram seus relacionamentos com startups, cerca de dois terços (67%) já conseguiram desenvolver pelo menos um contrato de Open Innovation com Startups. Isso revela certamente um crescimento em relação aos anos anteriores, mas também mostra uma massa significativa de empresas interessadas e ainda em fase de aprendizado.

Gráfico 12 - Crescimento da proporção de empresas com relações de OI com Startups

Na realidade, apenas 99 Open Corps (3%) alcançaram, na atual edição do Ranking 100 Open Startups, uma marca acima de 100 pontos. É um crescimento grande em relação à edição 2020, onde isso foi alcançado por apenas 31 empresas, mas o número ainda é pequeno e revela uma grande massa de empresas em etapas de aprendizado.

A distribuição dos relacionamentos de open innovation entre startups não segue um diagrama de Pareto (curva ABC), mas se assemelha mais a uma “curva de cauda longa”. As Top 10% Open Corps representam 51,3% do total de pontos. As Top 30% Corps representam 70,8% dos pontos.

As TOP 100 Open Corps representam 34% dos pontos do Ranking, enquanto que os demais 66% estão divididos entre as outras 3.234 empresas que pontuaram na edição 2021.

Gráfico 13 - Concentração das relações de OI

7 - Perfil do Campeão

A 100 Open Startups publicará, ainda em 2021, um novo estudo abordando características mais específicas desses relacionamentos de Open Innovation com Startups, bem como sobre a arquitetura dos programas de open innovation e a participação de agentes do ecossistema para tal. Esse estudo revelará muito mais sobre o perfil das empresas que mais estão ganhando com a Open Innovation com Startups e contará um pouco dos passos que tomaram para chegar lá.

O que podemos adiantar que existe em comum entre essas empresas premiadas e suas trajetórias é que observamos que são empresas que vivem seu propósito, valorizam suas pessoas, ouvem mais seus clientes, fornecedores e parceiros. São empresas que se organizam capacitando as suas pessoas e se abrindo à colaboração a partir de processos bem estruturados, visíveis, bem comunicados e transparentes.

São empresas que fortalecem e investem no ecossistema de inovação como um todo. Ou seja, não estão nele apenas para capturar e aproveitar o valor criado por terceiros, mas criam valor para o ecossistema, dando feedbacks, compartilhando conhecimento, disponibilizando recursos e investindo.

Complementar a isso, a título de ilustração, apresentamos aqui uma alegoria de como seria um perfil do campeão tendo como base unicamente as características específicas em comum nas TOP 100 Open Corps. É importante ressaltar que os itens listados não implicam em uma relação causal, o que ainda não foi analisado. Porém revelam o perfil típico de uma empresa bem classificada no Ranking 100 Open Startups.

Uma Open Corp campeã:

- É uma grande empresa (99% das TOP 100 Open Corps são grandes empresas).

- Tem um programa de Open Innovation estruturado e visível ao mercado (as empresas com programas estruturados são até 7 vezes mais efetivas em fechar contratos que as que não têm).

- Se comunica com o mercado e ecossistema reforçando sua disposição em desenvolver Open Innovation com Startups.

- Tem ao menos três programas de open innovation, mecanismos de investimento ou programas de P&D (média de 3,5 programas entre as TOP 100 Open Startups).

- Mantém parcerias diversas com agentes do ecossistema, como hubs de inovação, órgãos públicos, aceleradoras, consultorias ou outros (94% dos contratos dos programas de open innovation mapeados provêm de empresas que trabalham com agentes do ecossistema).

- Contratam startups como fornecedoras de serviços de suporte à operação e também desenvolvem projetos mais específicos com startups mais ligadas ao seu core business (50% dos contratos são de fornecimento de serviço ou produto).

Limitações do Estudo

É importante destacar algumas limitações que podemos identificar no estudo, que, apesar de exigirem certo cuidado na análise, não diminuem sua relevância ou importância no ambiente empreendedor brasileiro.

Em primeiro lugar, a principal fonte de dados deste estudo são os dados primários do Ranking 100 Open Startups. A representatividade desses dados foi validada por um mapeamento de todos programas de Open Innovation com Startups visíveis publicados por médias e grandes empresas no Brasil. Nessa análise de dados secundários, identificamos que as empresas que participam do Ranking 100 Open Startups representam mais de 95% das empresas que praticam Open Innovation no Brasil. Dessa forma, entendemos que a análises deste estudo são suficientemente acuradas e representativas do ecossistema de open innovation brasileiro.

Da mesma forma, por ter como principal fonte de dados o Ranking 100 Open Startups, o estudo tem foco nas corporações e startups qualificadas a participarem do Ranking - startups que apresentam um faturamento anual de até R$ 10 milhões, que não tenham recebido investimento superior a R$ 10 milhões e que não seja controlada por algum grupo econômico e, na outra ponta, corporações que tenham ao menos 100 funcionários ou ao menos R$ 100 milhões de faturamento anual.

O Ranking tem característica de “censo”, buscando identificar a totalidade dos relacionamentos de Open Innovation com Startups no mercado. Evidentemente, é possível que alguns grandes players tenham escapado à amostra, como mencionado acima. De qualquer forma, acreditamos que o estudo traz o melhor e mais completo panorama possível da situação atual do mercado.

O estudo é totalmente aberto a qualquer participante e tem uma enorme repercussão no ecossistema, com empresas e startups bastante dispostas a informar seus dados e, possivelmente, obterem alguma categoria de premiação. Além disso, a confidencialidade e segurança de dados da 100 Open Startups são bem reconhecidas no mercado, atraindo participantes muito dispostos a informar seus dados reais.

Por fim, também cabe destacar que, como a metodologia do ranking considera números absolutos de relacionamentos, contratos e pontos, ele tende a colocar as maiores organizações nos primeiros lugares. Por essa razão, é possível que o estímulo que essas corporações encontram para preencher os dados com maior exatidão seja maior do que o das organizações médias e pequenas. De qualquer forma, esse efeito costuma ser mitigado por meio da checagem dupla dos relacionamentos, usando tanto empresas como startups como fontes de informação - mesmo as empresas que não estariam interessadas em participar por si mesmas são incentivadas por suas startups parceiras a completar seus dados com exatidão.

Conclusões

O Ranking Open Startups 2021 revelou que, mesmo nos difíceis anos de 2020 e 2021, a atividade de open innovation entre empresas e startups seguiu seu caminho de forte crescimento.

Vimos, nesse período, a entrada de um número sem precedentes de empresas e startups no Ranking. Da mesma forma, vimos a intensidade dos relacionamentos aumentar, e as empresas seguirem em seu caminho de aprendizagem, desenvolvendo-se cada vez mais nesse tipo de conexão.

Sem dúvidas, o ecossistema de empreendedorismo e inovação brasileiro é, hoje, muito mais desenvolvido do que era em 2016, quando publicamos a primeira edição do Ranking 100 Open Startups, e é empolgante notar que a Open Innovation com Startups se mostra cada vez mais vibrante nesse ambiente.

A prática é difundida através de diversos setores empresariais, e já não é mais vista como hype por executivos e tomadores de decisão. Resultados sólidos aparecem e trazem uma reafirmação do interesse das empresas, cada vez mais abertas à inovação por meio da cooperação.

A 100 Open Startups seguirá divulgando informações e relatórios gratuitos, disponíveis para todos, com base no conhecimento informado pelo ecossistema por meio do Ranking 100 Open Startups, além de seus eventos e pesquisas. Também podemos ajudar empresas e startups de diversas outras formas em sua jornada de inovação. Convidamos vocês a conhecer melhor nossa plataforma em openstartups.net.

Sobre a 100 Open Startups

A origem:

O movimento Open Startups nasceu em 2015 no Brasil, quando as grandes empresas mantenedoras da Open Innovation Week, comunidade de praticantes de open innovation, em parceria com a coordenação nacional do Desafio Brasil da Fundação Getulio Vargas, principal competição de startups da época, selecionaram 100 startups para cocriar projetos de inovação em parceria. Sua origem, no entanto, remonta a criação do Centro de Open Innovation - Brasil, em 2008, iniciativa pioneira no tema e que liderou inúmeras ações de fomento à inovação aberta e ao empreendedorismo no país, como a Open Innovation Week. Fruto da colaboração entre o professor Henry Chesbrough, da Universidade da Califórnia - Berkeley, e o pesquisador Bruno Rondani, da FGV-EAESP, o Centro de Open Innovation - Brasil tinha o objetivo de reunir os praticantes de open innovation em torno de uma comunidade de prática conectada com a academia nacional e internacional para criar um modelo de referência para a prática de open innovation no Brasil.

O Ranking:

Desse esforço, surgiu o Ranking 100 Open Startups, que monitora a intensidade da prática de open innovation entre corporações e startups. O ranking é baseado em critérios objetivos, medidos a partir da quantidade e intensidade de relacionamentos que as startups estabelecem com o mercado corporativo.

O propósito:

O propósito da 100 Open Startups é fomentar a criação de soluções inovadoras com alto potencial de impacto positivo para o mercado, a sociedade e as pessoas, a partir da colaboração entre corporações e startups.

A evolução: de movimento para plataforma

Com o apoio inicial de mais de 100 grandes empresas, o movimento cresceu e evoluiu para uma plataforma online e uma série de eventos que estimulam a interação e facilitam a conexão entre corporações e startups para a geração de negócios em inovação. A plataforma permite, de um lado, que empresas rapidamente identifiquem, atraiam e selecionem as startups mais aptas para colaboração em iniciativas de inovação; do outro lado, que as startups mais atraentes e validadas pelas corporações se tornem rapidamente mais visíveis, viabilizando-as no mercado.

A rede:

A plataforma conta com o engajamento de mais de 150 mil participantes, público formado principalmente por dois grupos prioritários: de um lado, executivos de empresas estabelecidas, com oportunidades e demandas por inovação; e, do outro lado, empreendedores de startups dispostos a oferecer e cocriar soluções inovadoras para os desafios do mercado e da sociedade, do mercado e das pessoas.

Os resultados:

A plataforma 100 Open Startups já atraiu quase 5.000 empresas em busca de startups e mais de 18,4 mil startups em busca de parceiros no mercado corporativo. Ao todo, registrou cerca de 39 mil relacionamentos de open innovation que geram, por ano, mais de R$ 2 bilhões em contratos de open innovation. Nas cinco primeiras publicações, o Ranking 100 Open Startups premiou 521 open startups que se destacam hoje no mercado.

O futuro:

A 100 Open Startups trabalha para democratizar a capacidade, o acesso e os benefícios da inovação. A visão é que, a partir da inovação colaborativa e do ato empreendedor, todos os desafios do mercado, da sociedade e das pessoas encontrem uma solução.

Links:

Para saber mais sobre o Ranking 100 Open Startups, acesse 100os.net/ranking

Para saber mais sobre a 100 Open Startups, acesse openstartups.net.

Para receber os próximos estudos publicados pela 100 Open Startups, cadastre-se no app em 100os.app

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Créditos

Autores:

Bruno Rondani
Rafael Rocha Levy
Carla Depieri Colonna
Marco Antonio Petucco Junior
Ricardo Kahn

Equipe Técnica:

Claudio Mazzola
Daniel Santos
Rebecca Johnson
Fabricio Polato

Realização:

Open Startups

Apoio

FAPESP
FINEP
BRIDGE ECOSYSTEM
P&D ANEEL